Ficção

  • Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida. (Mahatma Gandhi)

A menina agora não roubava livros, agora contava histórias. Não sabia ao certo quando a mania começou, mas tinha a certeza que te dava prazer. Prazer esse proporcionado pelas pessoas que sempre acreditavam em suas lorotas. Todas as suas personagens eram sempre fictícias. Ou melhor: as histórias é que não correspondiam a realidade. Com tanta convicção na hora de compartilhar suas invenções, a menina conseguia, com um pouquíssimo esforço convencer qualquer um de que ele havia até mesmo participado do fato (que na verdade de fato não tinha nada). Era difícil entender o que se passava na mente da menina. Pior ainda era a inveja que enfrentava por possuir tão grande poder de persuasão. O tempo foi passando e suas narrativas começaram a se repetir, sem perceber. Tudo ficou cansativo e todos já estavam cansados de ouvir a menina (que já não era mais menina). E cansados, passaram a ignorá-la  e admitir que aquilo tudo não passara de pabulagens, que ela pretendia infiltrar na cabeça de todos eles. Muito tempo depois, a velha menina já não conseguia alcançar o êxtase de sua própria farsa e assim perdeu o seu entusiasmo de inventar. Viu então que isso não levava a lugar nenhum e que viver em um mundo fantástico faz bem, mas que o bem dura pouco.

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