Vestido
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Poderia levar para o lado do substativo, mas não, quero o verbo mesmo. Hoje senti sua presença, mesmo estando longe. E foi por ela que não me precipitei com certas atitudes. Se me comparasse a um desenho animado, seria como o anjinho falando ao pé do ouvido. Quem dera fosse você fazendo isso. Mas eu senti, não o arrepio de costume, mas eu senti. E foi com isso que eu vi a forte e perigosa ligação que há entre duas mentes. Sem medo, pense pelo lado bom. Imagens podem dizer muito mais que imagina! Enfim, não é um texto qualquer, é bem pessoal. Não é do meu feitio fazer isso, você sabe melhor que ninguém. Mas é isso. Senti a delícia de poder sentir que tanto Manuel Bandeira queria. Deve ser a pessoa certa. Quero manter essa mesma energia.
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Antes de começar, deu o último gole no seu chocolate quente. Sim, estava frio, mas somente na temperatura ambiente. Seu corpo se encontrava tão quente quanto o ferro de passar que esquecera ligado na semana anterior. Queimara sua única seda, uma camisola bonina. Mas acho que isso só vem ao caso para ela mesma. Sempre se remetendo ao passado. Pronto, estava ali. Luz baixa, som alto. À sua frente a mesa. À mesa uma folha de papel e uma caneta de nanquim. Imaginou-se na Idade média, com sua tinteiro e um novo pergaminho. Tinha um olhar quase biônico. Conseguiu enxergar algumas pouquíssimas gotículas de seu chocolate no canto inferior esquerdo da folha. Sem importância alguma. Posicionou então sua pena, digo, caneta, entres seus dedos já suados. Um risco trêmulo se fez no papel. Não fazia ideia do que escrever. Tinha medo das palavras assim como tinha de altura. Desligou o rádio e nem assim conseguiu. Horas na mesma posição e nada se desenvolvia. Desistiu. Seu risco trêmulo se transformou numa espiral que tomou toda a folha em questão de segundos. Era um desenho confuso, como sua ideias. Acabou por dizer tudo, sem palavras. Sem palavras.